Quem nunca reuniu alguns amigos e ficou horas se digladiando ao redor do tabuleiro em uma partida de War? Igualmente, também era comum ficar questionando as regras de Banco Imobiliário quando um dos colegas ficava milionário enquanto você ficava parado na prisão.

Curiosamente, ao longo dos anos, a diversão (ou não) que os jogos de tabuleiro traziam vão se perdendo, se tornando apenas momentos nostálgicos na nossa memória. 

Por outro lado, uma forma de entretenimento que não para de crescer são os jogos eletrônicos. Dos celulares até os mais modernos videogames, o mercado movimenta pouco mais de 108 bilhões de dólares anualmente. Vemos o boom de aplicativos de entretenimento para o celular, o avanço dos denominados e-sports, que hoje tomam parte da grade de programação de canais esportivos tradicionais, além de atrair a atenção de tradicionais equipes brasileiras; sem sequer mencionar o tamanho e cobertura da E3, maior feira anual de videogames.

Parece que existe um claro contraste entre o passado dos jogos de tabuleiro e o dos jogos eletrônicos: o primeiro ficou na memória, enquanto o outro vive sob os holofotes. Pois bem, não é o que acontece. Os board games vivem, de acordo com diversos especialistas, uma era de ouro. Milhares de títulos são lançados anualmente, convidando-nos para deixar o celular ou o computador de lado para ficar vidrado em uma experiência social offline por algumas horas. O que nos leva ao próximo ponto: se vivemos duas eras de ouro, de que forma elas se conectam; como elas se encaixam?

O meio de campo entre os jogos eletrônicos e os board games não é necessariamente feito de versões de um para o outro. Claro, já conseguimos encontrar diversos clássicos de papelão e madeira nas telas dos nossos smart phones, Dos mais tradicionais, já estávamos acostumados a ter xadrez, damas e truco – além de versões mobile do poker, talvez o mais praticado dos esportes mentais na atualidade.

O que vemos, também, é a transição de jogos de tabuleiro modernos para o celular. Os clássicos não são mais o suficiente; os grandes hits entre os jogadores offline vão aos poucos ganhando portabilidade, seja jogos simples e excelentes como Carcassone; ou ainda o épico histórico Twilight Struggle, cuja versão digital é uma das mais elogiadas entre entusiastas do jogo físico.

Mas é além disso que os tabuleiros e os jogos eletrônicos precisam se encontrar: como utilizar o melhor de um no outro? Sem fazer apenas a portabilidade, como podemos tirar o melhor da tecnologia do celular para aumentar a experiência de uma sessão offline? É nessa área que alguns designers começaram a operar, buscando conciliar nossa constante conexão com a tecnologia com um hobby lúdico milenar. 

Um exemplo que vem logo à cabeça é o de X-COM, jogo de tabuleiro inspirado justamente na versão eletrônica. Na versão offline, jogadores usam o iPad ou aparelho eletrônico móvel como forma de manipular o estado do tabuleiro, uma integração bastante interessante entre os dois universos. 

Outro jogo que se utiliza da tecnologia é Clank!, da Renegade Games. O jogo em si é de dois a quatro jogadores, mas a empresa, sabiamente, disponibiliza no seu aplicativo uma variante de um jogador e outra variante para multiplayer, dando mais profundidade e valor de replay ao seu produto. Em vez de estarmos limitados ao que o manual nos ensina, temos a possibilidade de mergulhar nas variantes que a tecnologia nos traz. 

Poderia citar ainda os exemplos de Escape for The Temple, ou como Alquimistas usa o seu aplicativo como “gabarito” para os jogadores conseguirem decifrar os componentes químicos do tabuleiro físico. O que é fundamental lembrar é que trazer o tabuleiro para o celular não é só transportas as regras de uma mídia para a outra; mas sim unir o que há de melhor dos dois mundos e criar experiências mais ricas para o usuário.

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA

dois + 4 =